segunda-feira, julho 28, 2008

Em ti, a Terra

Pequena Rosa,
rosa pequena,
às vezes,diminuta e desnuda,
parece
que me cabes na palma da mão,
assim vou-te colher,
e levar-te à minha boca,
mas de repente
meus pés tocam os teus pés e a minha boca os teus lábios
cresceste,
sobem teus ombros como duas colinas,
teus peitos passeiam pelo meu peito,
meu braço mal alcança a rodear
a delgada linha de lua nova que tem a tua cintura:
no amor como água de amor te desataste:
meço apenas os olhos mais extensos do céu
e inclino-me à tua boca para beijar a terra.


(Pablo Neruda)

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