Os fatos e coisas do cotidiano,
Parecem-nos doces e sadios.
Encarnam a doçura daquilo que não se esvai,
Como se o tempo e a felicidade se estendessem ao infinito.
Entretanto, doces enganos são
Estes pensamentos seguros a respeito do mundo.
Tolos somos todos, nós que acreditamos naquilo que nos cerca,
E nos deixamos seduzir pelo canto das sereias.
Nada mais fugaz do que o tempo,
Nem mais frágil do que a felicidade.
Tudo é inseguro, tudo é fugaz,
E de certeza só a morte fatal.
Que as rochas durem quase uma eternidade, aceitemos!
Que a
gua se renova num ciclo indestrutível aos nossos olhos, tudo bem!
Mas isto não garante a eternidade das coisas.
Do concreto ao pó, basta um átimo de segundo.
Basta um piscar de olhos e a fortuna ataca,
E nós, desprotegidos, nos afogamos nas águas turvas do mecanismo insano do universo.
Apegamo-nos demais às coisas e à nossa felicidade.
Como se fossem a representação do absoluto.
E então, no instante inesperado, desfaz-se o nosso mundo bem construído.
Deveríamos apreender a dura lição do pó.
(Clóvis Brondani)
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